Peneira-se a farinha para um alguidar e escalda-se com o azeite a ferver. Depois com as mãos misturam-se o melhor possível estes dois ingredientes desfazendo os caroços que se formaram. Faz-se uma cova no meio da farinha e deitam-se aí 1 dl de água tépida onde se desfez o sal, a aguardente, o sumo das laranjas e 3 ovos.
Começa então a amassar-se juntando os ovos à medida que a massa os vai absorvendo. Quando se considerar que a massa está pronta, isto é, quando a massa estiver elástica e não se pegar ao alguidar, junta-se a manteiga e mistura-se bem. Tapa-se a massa com um pano e deixa-se repousar durante 2 horas, pelo menos.
Depois, com o rolo e o mínimo de farinha estendem-se as filhós e cortam-se em rectângulos ou circunferências, com a ajuda de uma carretilha. No centro de cada filhó dão-se 4 golpes que não deverão atingir os bordos da massa. À medida que se vão estendendo e cortando, colocam-se as filhós sobre um pano ligeiramente empoado de farinha, ou melhor, para evitar que as filhós sequem, devem, na medida do possível, ir-se fritando em azeite bem quente.
Há diversas maneiras de pegar nas filhós para as fritar no azeite. A mais corrente consiste em introduzir os dedos nas tiras formadas pelos golpes. Assim: passam-se os dedos da mão direita na 1.ª e 3.ª tiras deixando cair a 2.ª e 4.ª que serão amparadas com a mão esquerda.
Depois de fritas e louras, escorrem-se as filhós sobre papel absorvente. Polvilham-se com açúcar e canela ou passam-se por uma calda de mel como se diz para as filhós da Beira Baixa.
*No Alentejo, nomeadamente em Évora, é costume fazer estas Filhós na Quinta-Feira das Comadres em quantidade suficiente para três dias de Carnaval. Ainda não há muitos anos, os amigos e os vizinhos mascaravam-se e visitavam-se uns aos outros para comerem as Filhós e outros fritos. Acompanhados de Licor caseiro ou de Vinho Fino (Vinho do Porto).
As Filhós são ainda utilizadas como presente, que se troca entre amigos e vizinhos.
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